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O xeique que anulou um gol na Copa do Mundo de 1982

Tudo corria conforme o esperado na partida entre França e Kuwait, válida pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1982, na Espanha. A seleção francesa vencia com folga, quando aos 32 minutos do segundo tempo, Alain Giresse marcou o quarto gol dos azuis. Imediatamente, todos os jogadores do Kuwait cercaram a arbitragem. Eles argumentavam que  tinham escutado Miroslav Stupar, árbitro da contenda, apitar alguma irregularidade no lance, o que fez que deixassem de prosseguir na jogada; o gol francês, portanto, devia ser anulado.

O que seria totalmente corriqueiro, transformou-se em algo único e inusitado. Dos camarotes do estádio José Zorrila, em Valladolid, um homem trajando vestes árabes e turbante vermelho, acena indignado, ordenando que os atletas do Kuwait abandonem o gramado. Após vários minutos de total incerteza, sem encontrar resistência da polícia espanhola, o sujeito aparece no campo, acompanhado por vários guarda-costas. Ele é o xeique Fahid Al Ahmad Al Sabah, irmão do emir do Kuwait. O atônitos torcedores e a equipe francesa, tranquilizada pelo placar, assistem a insólita cena. Depois de conversar com o árbitro, o xeique novamente ameaça retirar seus jogadores de campo, caso o gol não fosse anulado.

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A confusão dura vários minutos, até que o árbitro toma uma decisão surpreendente. Ele anula o gol, mesmo não tendo apitado nada no lance que originou a revolta árabe. Seja lá o que for que Fahid Al Ahmad Al Sabah tenha dito ao russo, as palavras surtiram o efeito desejado.

O zagueiro Bossis ainda marcaria mais um gol, decretando a vitória francesa por 4 x 1. O jogo, porém, já estava eternizado. Com um empate e duas derrotas, o Kuwait do técnico Carlos Alberto Parreira voltou para casa sem brilhar, mas protagonizando um dos episódios mais folclóricos na história das Copas do Mundo. Contudo, a FIFA não achou graça nenhuma e penalizou duramente o árbitro Miroslav Stupar. Ele nunca mais apitou uma partida de futebol. Quanto ao xeique? Bem, esse nadava em petrodólares e o velhinhos de Zurique não costumam punir quem pode comprá-los.

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