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Nefertiti – 10 fatos sobre a misteriosa rainha do Antigo Egito

Nefertiti foi uma das mulheres mais misteriosas e poderosas do Antigo Egito, ela reinou ao lado do faraó Aquenáton de  1353 a 1336 a.C e talvez tenha governado o Novo Império após a morte do marido. Nefertiti viveu durante um momento de enorme agitação cultural, quando Aquenáton reorientou a estrutura política e religiosa do Egito em torno da adoração do deus sol Aton. Nefertiti é  um ícone mundial da beleza e do poder feminino. Mas quem foi realmente essa mulher?

 
1 - A identidade dos pais de Nefertiti nunca foi estabelecida com certeza. A teoria mais aceita é a de que ela era a filha de um alto oficial chamado Ay, que mais tarde viria a se tornar faraó por um breve período. Acredita-se que a mãe de Nefertiti tenha morrido durante o parto e que Tey, a esposa conhecida de Ay, tenha sido na verdade a ama-seca da famosa rainha. Essa hipótese é deduzida de inscrições que mencionam Tey como “ama-seca da grande esposa real”, ou seja, Nefertiti.

2 – O nome Nefertiti significa “a mais bela chegou”, o que levou muitos estudiosos a considerarem a hipótese de que Nefertiti teria origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns autores como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni, filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amenófis III, chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do faraó, num gesto de amizade daquele império para com o Egito; Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou mais tarde um nome e os costumes do Egito.

Aquenáton e Nefertiti 
3 - Como a maioria das mulheres no Egito antigo, o curso da vida de Nefertiti seria definida por seu marido. Sendo a esposa de Amenófis - futuro faraó e, assim, a futura encarnação do deus Rá - sua posição e glória estariam asseguradas. Havia apenas um problema: o jovem Amenófis tinha uma interpretação decididamente não convencional da religião egípcia.

Amenófis IV governou o Egito por 17 anos, a partir de cerca de 1353 a 1336 a.C. Ele é mais famoso por mudar a religião do Egito do politeísmo para ao henoteísmo. O culto passou a ser centrado no deus Aton. Amenófis IV mudou seu nome para Aquenáton, o nome pelo qual é conhecido hoje. Nefertiti, adotou antes do seu nome de nascimento o nome Nefernefernuaton, que significa “perfeita é a perfeição de Aton”. Nefertiti passou a partir de então a ser representada com a coroa azul, em vez do toucado constituído por duas plumas e um disco solar, habitual nas rainhas egípcias.

4 - Como a Grande Esposa Real de Aquenáton, Nefertiti tinha muitos deveres. Um deles, logicamente, era a  mesma obrigação imposta a todas rainhas consortes ao longo da história mundial: ela precisava dar herdeiros ao faraó. Quantos filhos Nefertiti teve?

Muitos registros daquela época foram perdidos, por isso não podemos ter certeza se temos um número exato dos filhos de Nefertiti com Aquenáton. Os registros que sobreviveram levam a  concluir que o casal teve pelo menos seis filhas durante um período de 11 anos:  Meritaton, Meketaton, Anchesenamon, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Aquetáton entre o sexto e o nono ano de reinado.

Aquenáton e Nefertiti com três de suas filhas 
A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado, como mostra uma cena que representa Aquenáton e Nefertiti a chorar diante do leito de morte da filha, essa menina teria morrido afogada. Durante o reinado de Aquenáton espalhou-se por todo Egito uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como “doença mágica” que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tutancâmon.

A família real é representada em várias estelas em cenas de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.

5 - No ano 14 do reinado de Aquenáton, Nefertiti, de repente desapareceu dos registros do reino, dando origem a um dos mistérios mais fascinantes do mundo antigo.  Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objetos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a versão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável tenha sido o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

6 - Nefertiti desapareceu da história, mas ela não pode ter desaparecido da vida no palácio. Na verdade, uma série de arqueólogos acredita que ela sobreviveu a seu marido - e sucedeu-lhe como o faraó, antes da ascensão de Tutancâmon. Essa hipótese que procura explicar o silêncio das fontes, considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada com a sua ascensão à posição de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese, quando Aquenáton faleceu, Nefertiti mudou novamente de nome para Anchetcheperuré Semencaré e governou como faraó durante cerca de dois anos.

Nefertiti jogando Senet 
7 - Há ainda outra hipótese para o desaparecimento repentino de Nefertiti: como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Aquenáton, a morte da rainha teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o projeto do “Deus Único” representado por Aton. Cerca de dois anos depois, Aquenáton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de “grande esposa real”. O seu reinado foi curto, pois segundo os historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas Tutancâmon, então com 9 anos, e sua outra irmã, Anchesenamon, com 11 anos.

8 - Por mais de três mil anos, Nefertiti, Aquenáton, e seus filhos foram esquecidos. Aquenáton e seus sucessores imediatos foram até mesmo apagados da lista oficial dos faraós; os templos construídos por ele foram destruídos; suas tumbas foram em muitos lugares depredadas. Por quê?

Porque o faraó Horemheb queria apagar todos os vestígios da experiência religiosa de Aquenáton. O esforço para expurgar o culto a Aton da história egípcia começou no reinado de Tutancâmon. Guiado por seus conselheiros, o rei menino levou a capital de volta para Tebas e restaurou os antigos sacerdócios. Seus sucessores, Ay (seu grão-vizir) e Horemheb (seu chefe geral) levaram as coisas a um passo adiante, destruindo alguns dos templos erguidos por Aquenáton a fim de serem usados como materiais de construção em seus próprios projetos.

Quando se tornou faraó,  Horemheb também decidiu que toda a família de Aquenáton (incluindo a de seu antecessor Ay) era herética e vergonhosa para o Egito. Ele ordenou que o nome deles fosse apagado das listas oficiais dos faraós, que, assim, mostram Amenófis III sendo sucedido  por Horemheb. Horemheb provavelmente ordenou pessoalmente a depredação do túmulo de Ay; e, possivelmente, as de outros túmulos também. Aquenáton, Nefertiti, Semencaré, Tutancâmon, Ay, e todo o restante da  família só foram redescobertos em escavações do século 19. A tentativa de Horemheb para apagar o nome de seus desafetos da história falhou. Na verdade, tornou a saga deles ainda mais fascinante.

Busto de Nefertiti 
9 - Em 06 de dezembro de 1912 uma equipe liderada pelo arqueólogo alemão Ludwig Borchardt encontrou o agora famoso busto de Nefertiti em Amarna, no Egito. Em 1913, houve uma reunião entre Borchardt e um oficial egípcio sênior para discutir como dividir os achados arqueológicos de 1912. Diz-se que Borchardt mostrou uma fotografia do busto para o oficial egípcio “que não mostrava Nefertiti no seu melhor ângulo”, ocultando assim o seu valor real. A Sociedade Oriental Alemã nega a acusação,  contudo, tem havido vários pedidos para a devolução do busto para o Egito e a revista Time o listou  entre os “Top 10 artefatos pilhados da história”.

O busto de Nefertiti,  esculpido em 1345 a.C,  a retrata  “com um pescoço longo, sobrancelhas elegantemente  arqueadas, maçãs do rosto salientes, um nariz fino e um sorriso enigmático”. Em 1923, o busto foi exibido pela primeira vez ao público no Museu Egípcio de Berlim, na Alemanha. Ele logo se tornou uma sensação e  fez de Nefertiti um ícone de renome mundial da beleza feminina. O busto é descrito como “o trabalho mais conhecido de arte do Antigo Egito, sem dúvida, de toda a antiguidade”. Ele continua sendo uma das imagens mais copiadas do Egito Antigo e é o mais famoso busto de arte antiga.

10 - Nefertiti também foi objeto de controvérsia entre o Egito e Inglaterra, quando a arqueóloga britânica, Joann Fletcher, alegou ter encontrado a múmia da rainha em 2003. A reivindicação de Fletcher foi baseada em detalhes de uma múmia conhecida pelos egiptólogos como a “Younger Lady”, na qual ela deduziu que as descrições de Nefertiti correspondiam. A Discovery Channel exibiu a teoria de Fletcher como se a múmia da rainha houvesse sido positivamente identificada quando, na verdade, este não foi o caso. Como resultado, Fletcher foi proibida de trabalhar no Egito por causa de uma alegada violação de protocolo, que exige que todos os arqueólogos que trabalham no país, submetam primeiro o relatório das suas conclusões ao Conselho Supremo de Antiguidades, antes de liberar qualquer notícia para a imprensa internacional.

Embora esta proibição tenha posteriormente revogada, e Fletcher voltado para o Egito, a controvérsia em torno da múmia ainda está de pé. Os partidários de Fletcher sustentam que a “Younger Lady” é Nefertiti, enquanto muitos outros estudiosos afirmam o oposto. Os mesmos dados são usados por ambos os lados para sustentar as suas alegações, parecendo improvável que haja qualquer resolução até que alguma futura descoberta seja feita, elucidando o caso.

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