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A Guerra de Inverno - Finlândia versus URSS

A Guerra de Inverno foi um conflito militar entre a União Soviética e a Finlândia que começou com a invasão soviética da Finlândia em 30 de novembro de 1939 (três meses após o início da Segunda Guerra Mundial ) e terminou com o Tratado de Paz de Moscou em 13 de março de 1940. A Liga das Nações considerou o ataque ilegal e expulsou a União Soviética do quadro de membros em 14 de dezembro de 1939.

A União Soviética reivindicava partes do território finlandês, exigindo entre outras concessões, que a Finlândia cedesse uma substancial faixa de territórios fronteiriços em troca de terras em outros lugares, alegando razões de segurança, principalmente a proteção de Leningrado, que ficava a apenas 32 km da fronteira finlandesa. A Finlândia recusou e a União Soviética invadiu o país.

Os soviéticos possuíam de três vezes mais soldados do que os finlandeses, trinta vezes mais aviões e cem vezes mais tanques. O Exército Vermelho, no entanto, havia sido mutilado por Josef Stalin no Grande Expurgo de 1937. Com mais de 30.000 de seus oficiais executados ou presos, incluindo a maioria dos homens mais experientes, o Exército Vermelho em 1939 era liderado por oficiais novatos. Devido a isso e ao alto moral das forças finlandesas, a Finlândia repeliu os ataques soviéticos por vários meses, muito mais tempo do que os soviéticos esperavam.

No entanto, após a reorganização e a adoção de diferentes táticas, a renovada ofensiva soviética superou as defesas finlandesas nas fronteiras. A Finlândia concordou então em ceder mais território do que era originalmente exigido pela União Soviética em 1939; os soviéticos, tendo conquistado as áreas que  almejavam da Finlândia, mas a um custo muito mais pesado do que o previsto, aceitaram a proposta finladesa.


Guerra de Inverno

Dois soldados finlandeses são fotografados com seus cães treinados antes da batalha de Summa, durante a guerra de inverno finlandesa-soviética. Perto de Summa, Carélia, Finlândia em 12 de dezembro de 1939. 

Em 5 de outubro de 1939, a União Soviética convidou uma delegação finlandesa à Moscou para uma rodada de negociações. J.K Paasikivi, o embaixador finlandês na Suécia, foi enviado a Moscou para representar o governo finlandês. Os soviéticos exigiam que a fronteira entre a União Soviética e a Finlândia no istmo careliano fosse movida para o oeste e que os finlandeses destruíssem todas as fortificações existentes no istmo careliano. Moscou também queria a cessão de algumas ilhas no Golfo da Finlândia, bem como a península Kalastajansaarento. Além disso, os finlandeses teriam que arrendar a península de Hanko durante trinta anos e permitir que os soviéticos estabelecessem ali uma base militar. Em troca, a União Soviética cederia dois municípios com o dobro do território exigido da Finlândia. Aceitar as demandas soviéticas teria forçado os finlandeses a desmantelar as suas defesas na Carélia Finlandesa.

A oferta soviética dividiu o governo finlandês, mas acabou sendo rejeitada. No dia 31 de outubro, na assembléia do Soviete Supremo, Vyacheslav Molotov,  o ministro soviético das Relações Exteriores, anunciou as demandas soviéticas em público. Os finlandeses fizeram duas contrapropostas por meio das quais a Finlândia cederia a área de Terijoki à União Soviética, o que dobraria a distância entre Leningrado e a fronteira finlandesa, muito menos do que os soviéticos exigiram, bem como as ilhas no Golfo da Finlândia. Do ponto de vista soviético as negociações foram encerradas.

Em 30 de novembro de 1939, depois que as demandas soviéticas feitas à Finlândia foram rejeitadas, cerca de 450.000 soldados soviéticos cruzaram a fronteira, iniciando uma brutal  batalha que seria chamada Guerra de Inverno.


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Nessa fotografia, o soldado de um destacamento antiaéreo finlandês, vestindo seu uniforme de camuflagem branco, observa o céu com um telêmetro em 28 de dezembro de 1939, durante um ataque aéreo soviético.


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Uma casa arde em chamas depois de ter sido atingida por uma bomba soviética durante um ataque aéreo em Turku, uma cidade portuária no sudoeste da Finlândia, em 27 de dezembro de 1939.


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Numa congelada frente de batalha "em algum lugar na Finlândia", as tropas finlandesas se dispersam para se abrigar de um ataque aéreo soviético, em 19 de janeiro de 1940.


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Soldados finlandeses, integrantes de um dos batalhões de esqui que lutaram contra os invasores russos, marcham com suas renas em 28 de março de 1940.


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Despojos de guerra - tanques e caminhões soviéticos - ao longo de uma estrada em uma floresta coberta de neve, em 17 de janeiro de 1940. As tropas finlandesas tinham acabado de dominar toda uma divisão soviética.


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Um voluntário sueco, "em algum lugar do norte da Finlândia", durante a Guerra de Inverno, protege-se do frio ártico com uma máscara em seu rosto, enquanto observa os invasores russos. Fotografia de 20 de fevereiro de 1940.

Voluntários chegaram de vários países. De longe, o maior contingente estrangeiro veio da vizinha Suécia, que forneceu cerca de 8.760 voluntários durante o conflito. Outros voluntários chegaram da Estônia, Ítalia, Dinamarca, Noruega e também da Hungria. Além disso, 350 cidadãos americanos de origem finlandesa se voluntariaram e 210 combatentes de outras nacionalidades chegaram à Finlândia antes do fim da guerra. No total, a Finlândia recebeu 12.000 voluntários, 50 dos quais morreram durante a guerra.


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O inverno de 1939-1940 na Finlândia foi excepcionalmente rigoroso. Em janeiro, as temperaturas caíram abaixo de -40 graus em alguns lugares. O congelamento do corpo era uma ameaça constante e os cadáveres dos soldados mortos nas batalhas congelavam-se como se fossem estátuas, algumas vezes em poses misteriosas. Essa foto de 31 de janeiro de 1940 mostra o cadáver congelado de um soldado russo; seu rosto, mãos e roupas estão cobertos com uma camada de neve. Depois de 105 dias, os finlandeses e russos assinaram um tratado de paz, que permitia à Finlândia manter a soberania, mesmo sendo obrigada a cede 11% de seu território para os soviéticos.


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Tropas de esqui finlandesas no norte da Finlândia em janeiro de 1940.


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Um T-26, um tanque leve soviético, durante o avanço russo no Istmo Careliano, em 2 de dezembro de 1939.


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Um soldado finlandês com uma metralhadora M-26, em 1 de fevereiro de 1940. A opinião pública mundial apoiou largamente a causa finlandesa, sendo a agressão soviética geralmente considerada como injustificada. A Segunda Guerra Mundial ainda não tinha afetado diretamente a França, o Reino Unido ou os Estados Unidos; a Guerra de Inverno era a única verdadeira luta na Europa naquela época e, sendo assim, teve grande interesse mundial. Várias organizações estrangeiras enviaram ajuda material e muitos países concederam empréstimos e material bélico à Finlândia. A Alemanha nazista permitiu que armas passassem pela Suécia para a Finlândia, mas depois que um jornal sueco tornou esse fato público, Adolf Hitler iniciou uma política de silêncio em relação à Finlândia, uma estratégia para manter as boas relações germano-soviéticas após a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop.


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Alguns dos cerca de 400 soldados russos mortos em uma batalha, em 1 de fevereiro de 1940. A Guerra de Inverno foi um desastre militar para a União Soviética. Contudo, Stalin aprendeu com o fiasco e compreendeu que o controle total  sobre o Exército Vermelho já não era possível. Após a Guerra de Inverno, o Kremlin iniciou o processo de reinstaurar oficiais qualificados e de modernizar as suas forças, uma decisão que viria a permitir que os soviéticos resistissem à invasão alemã.


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O atirador finlandês Simo Häyhä, apelidado de "morte branca" pelos soviéticos, a quem são creditadas  as mortes de mais de 500 soldados inimigos.

Durante os quatro meses de luta, o exército soviético sofreu grandes perdas. Um General do Exército Vermelho, observando um mapa do território que acabara de ser conquistado, disse: "Ganhamos bastante terreno, será suficiente para enterrar os nossos mortos."


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Adolf Hitler, líder da Alemanha nazista, em sua breve visita à Finlândia, em junho de 1942.

A Guerra de Inverno foi um sucesso político para os alemães. Tanto o Exército Vermelho como a Liga das Nações foram humilhados e o Supremo Conselho de Guerra  Anglo-Francês revelou-se caótico e impotente. Após a Paz de Moscou, a Alemanha não hesitou em melhorarar as relações com a Finlândia. Talvez o fato mais importante tenha sido que o mau desempenho do Exército Vermelho levou Hitler a pensar que um ataque à União Soviética seria bem sucedido.

Durante a Paz Provisória, a Finlândia estabeleceu estreitos laços com a Alemanha na esperança de uma chance de recuperar as áreas cedidas à União Soviética. Três dias após o início da Operação Barbarossa, começava a Guerra de Continuação.

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