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A Invasão da Polônia em 30 fotografias históricas

A invasão da Polônia pelas forças alemãs teve início na madrugada do dia 1º de setembro de 1939, quando aviões alemães bombardearam a cidade polonesa de Wielun, matando 1200  pessoas. Cinco minutos depois, o encouraçado alemão Schleswig-Holstein abriu fogo contra uma fortificação  militar na península de Westerplatte, na Cidade Livre de Danzig. Dentro de poucos dias, o Reino Unido e a França declarariam guerra à Alemanha e começariam a mobilizar os seus exércitos, bem como a preparar os civis para os dias de conflito que viriam.

A então recém-criada República Eslovaca, um estado vassalo da Alemanha, juntou-se ao ataque à Polônia com mais de 50.000 soldados agrupados em três divisões. Como o corpo principal das forças polonesas estava envolvido na luta contra o exército alemão mais ao norte da fronteira sul, a invasão eslovaca encontrou  pouca resistência e sofreu perdas mínimas.

A invasão soviética da Polônia teve início sem uma declaração formal de guerra em 17 de setembro de 1939. Naquela manhã, 16 dias após a Alemanha nazista ter invadido a Polônia a partir do oeste, a União Soviética invadiu o leste do território polaco. No dia 6 de outubro de 1939 o território polônes foi dividido entre alemães, soviéticos e eslovacos.
 

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O correspondente da Associated Press, Alvin Steinkopf, baseado na Cidade Livre de Danzig, na época uma cidade-estado semi-autônoma vinculada à Polônia, relata a situação tensa em Danzig  para os americanos, em 11 de Julho de 1939. A  Alemanha vinha exigindo a incorporação de Danzing ao Terceiro Reich havia meses e dava índícios que preparava uma ação militar contra a Polônia.

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O Primeiro-ministro  soviético Josef Stalin (segundo à direita), sorri, enquanto que o Ministro do Exterior soviético Vyacheslav Molotov (sentado), assina o pacto de não-agressão com o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop (terceiro da direita), em Moscou, em 23 de agosto de 1939. O homem à esquerda é o Ministro Soviético da Defesa e vice-chefe do Estado-Maior Geral,  Boris Shaposhnikov. O pacto de não-agressão incluía um protocolo secreto que dividia a Europa Oriental em esferas de influência alemã e soviética no caso de um conflito. O pacto dava garantias de que as tropas de Hitler não enfrentariam nenhuma resistência dos soviéticos caso  invadissem a Polônia, levando a guerra a um passo mais perto da realidade.

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Tropas alemãs a caminho  da Polônia, são saudadas por Adolf Hitler (Setembro de 1939).  A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia Lorena e parte da Prússia. As altas indenizações impostas pelos Aliados causaram o colapso da moeda e o desemprego em massa, fatores que explorados pelos nazistas, contribuíram para o fortalecimento de Hitler no poder (assumido em 1933).

As relações entre a Alemanha e a Polônia já eram tensas desde a República de Weimar. Nenhuma facção alemã concordava com a nova delimitação da fronteira leste do país (com um corredor polonês neutro, que separava a Alemanha da Prússia Oriental) imposta no Tratado de Versalhes.

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Em 25 de agosto de 1939, dois dias depois da Alemanha assinar o pacto de não-agressão com a URSS, a Grã-Bretanha formou uma aliança militar com a Polônia. A foto acima mostra uma cena de uma semana depois, ocorrida no dia 1º de setembro de 1939, uma das primeiras operações militares da Invasão da Polônia pela Alemanha e do início da II Guerra Mundial. Nela vemos o encouraçado alemão Schleswig-Holstein  bombardeando uma guarnição polonesa em Westerplatte, península na Cidade Livre de Danzig.  Ao mesmo tempo, a Força Aérea Alemã  e tropas terrestres  atacavam diversos outros alvos poloneses.

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Em 1939, o exército polonês ainda mantinha muitos esquadrões de cavalaria que lutaram na guerra polaco-soviética de 1921. Um mito surgiu sobre a cavalaria polonesa, afirmando que os soldados poloneses agiam como tolos, galopando em seus cavalos contra os tanques de aço alemães. Uma única vez os cavaleiros poloneses se encontraram com os blindados alemães; obviamente eles recuaram. O episódio foi usado pela propaganda alemã e depois pela soviética para retratar os oficiais poloneses como despreocupados com as vidas de seus subordinados. A fotografia acima mostra um esquadrão da cavalaria polonesa em manobras em algum lugar na Polônia, em 29 de abril de 1939.

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Dois tanques da 1ª Divisão SS Leibstandarte SS Adolf Hitler  atravessam o rio Bzura durante a invasão alemã da Polônia, em setembro de 1939. A Batalha de Bzura, a maior de toda a campanha, durou mais de uma semana  e terminou com as forças alemãs capturando a maior parte oeste da Polônia.

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A devastação vista na Rua Ordynacka, em Varsóvia em 6 de março de 1940. A carcaça de um cavalo apodrece entre os escombros. Varsóvia esteve sob bombardeio  constante durante a invasão da Polônia. Em apenas um dia: 25 de setembro de 1939, cerca de 1.150 missões de bombardeio foram feitas por aviões alemães contra a capital polonesa, despejando mais de 550 toneladas  de bombas explosivas e incendiárias sobre a cidade.

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Um portão no nordeste da Fortaleza de Brest é bloqueado por tanques FT-17, remanescentes da Primeira Guerra Mundial.  A Batalha de Brest ocorreu entre 14 e 17 de setembro de 1939 durante a Invasão da Polônia pelas forças nazistas. A cidade de Brest atualmente pertence a Bielorrússia. Após três dias de lutas, as forças polonesas foram forçadas à retiraram-se. Ironicamente, os alemães transferiram a Fortaleza de Brest para os soviéticos por força do Pacto Molotov-Ribbentrop; eles iriam retomá-la depois com o Cerco de Brest (1941) no início da Operação Barbarossa.

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Na fotografia acima vemos soldados alemães quebrando uma barreira de fronteira em Sopot, na Polônia. A fotografia é uma das milhares que foram tiradas pelos nazistas para fins de propaganda.

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Vista de uma cidade polonesa a partir da cabine do piloto de um bombardeiro médio alemão, provavelmente um Heinkel ele 111 P, em 1939.

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Soldados avançados e batedores alemães fotografados em uma cidade polonesa que estava sob forte ataque, durante a invasão nazista da Polônia, setembro 1939.

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A infantaria alemã avança com cautela nos arredores de Varsóvia, na Polônia, em 16 de setembro de 1939.

Os britânicos e franceses estimaram que a Polônia seria capaz de se defender por dois a três meses, enquanto que a Polônia estimava que poderia resisitir por pelo menos seis meses. Enquanto a Polônia elaborava suas estimativas com base na expectativa de que os aliados ocidentais iriam honrar suas obrigações do tratado de cooperação militar,  iniciando uma contra-ofensiva imediatamente, os franceses e britânicos contavam que o conflito se transformaria em uma guerra de trincheiras, tal como acontecera na Primeira Guerra Mundial. O governo polonês não tinha conhecimento dessa estratégia e baseou todos os seus planos de defesa nas promessas de ajuda rápida da parte de seus aliados ocidentais.

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Um menino polonês descansa nos escombros durante uma pausa dos ataques aéreos alemães em Varsóvia, Polônia, em setembro de 1939. Os ataques alemães duraram até Varsóvia se render no dia 28 de setembro. As forças polacas capitularam perto de Lublin, dando o controle total da Polônia à Alemanha e à União Soviética.

Em setembro de 1959, o fotógrafo Julien Bryan escreveu sobre a cena acima na revista Look : “O local onde Ryszard Pajewski de nove anos de idade sentou-se sobre uma pilha de entulhos em 1939 é agora um belo gramado. Uma pessoa viu a minha foto dessa cena e contou a Pajewski. Ele veio me ver. A pilha de entulhos ficava perto de sua casa e ele parara ali para descansar da busca por comida para sua mãe e seu irmão. Seu pai havia sido levado pelos nazistas e nunca voltou para casa.

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Um médico do exército polonês observa o céu enquanto a Luftwaffe alemã inicia o bombardeio aéreo de Varsóvia durante a invasão da Polônia. No cartaz atrás dele lê " WARA! "; uma expressaão polonesa que pode ser traduzida como: Detenha-os!  O primeiro ataque aéreo à Polónia ocorreu em 1 de Setembro de 1939, quando a Luftwaffe bombardeou a cidade polaca de Wielun, destruindo 75% da cidade e matando cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis. Varsóvia, setembro de 1939. Fotografia tomada por Harrison Forman.

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Uma polonesa carrega sua filha após um ataque da Luftwaffe  contra Varsóvia, durante os primeiros dias da invasão alemã da Polônia. Varsóvia, setembro de 1939. Imagem tomada por Julien Bryan.

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Um soldado alemão posa ao lado de um canhão anti-aéreo montado encima de um vagão na estação ferroviária de Kartuzy, que fora usado pelos poloneses durante a invasão alemã da Polônia. Antes da Primeira Guerra Mundial, Kartuzy era conhecida como Karthaus e pertencia à Alemanha, sendo parte da província da Prússia Ocidental. Após a derrota da Alemanha, quando as disposicões do Tratado de Versalhes entraram em vigor em 1920, Karthaus foi integrada à Segunda República Polaca e oficialmente renomeada para Kartuzy. Depois da invasão alemã e da ocupação da Polônia em 1939, a Alemanha retomou a cidade, incorporado-a à província alemã de Reichsgau Danzig, na Prússia Ocidental. No final da guerra em 1945, a cidade voltou novamente ao domínio polonês. Kartuzy, na Pomerânia, Polônia, setembro de 1939.

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Soldados poloneses com artilharia anti-aérea perto da estação central de Varsóvia nos primeiros dias de setembro de 1939.

Uma crença comum, contudo errônea, é a de que a Polônia ofereceu pouca resistência e se rendeu rapidamente. Nos primeiros dias, a Alemanha sofreu perdas muito pesadas e quanto à duração da Campanha de Setembro, ela durou apenas cerca de uma semana a menos do que a Batalha da França em 1940, embora as forças anglo-francesas estivessem muito mais perto da paridade com os alemães em número de combatentes e armamentos. Além disso, o Exército polonês preparava a Ponte Romena, uma operação que teria prolongado a defesa polaca, mas o plano foi cancelado devido à invasão soviética da Polônia, em 17 de setembro de 1939. É preciso ficar bem claro que a Polônia nunca se rendeu oficialmente aos alemães. Durante a ocupação alemã, vários grupos de guerrilha poloneses continuaram a combater os invasores.

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Tropas polonesas, em fuga da Polônia ocupada pelos nazistas e soviéticos, são recebidas pelos romenos ao atravessar a fronteira romena.

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Adolf Hitler saúda as tropas da Wehrmacht que desfilam em Varsóvia, Polônia, 5 de outubro de 1939, após a invasão alemã. Atrás de Hitler estão, da esquerda para a direita: o coronel-general Walther von Brauchitsch, o tenente-general Friedrich von Cochenhausen, o coronel-general Gerd von Rundstedt e o coronel-general Wilhelm Keitel.

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Soldados poloneses refugiados da Polônia ocupada pelos nazistas e soviéticos, conversam com uma jornalista americana na estação de trem de Budapeste, em outubro de 1939.

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Um soldado do Exército Vermelho guarda o avião polonês PWS-26, derrubado perto da cidade de Rivne no setor operacional soviético, em 18 de setembro de 1939.

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O Exército Vermelho Soviético entra na cidade polonesa de Vilnius, após a agressão conjunta russo-alemã contra a Polônia, em 5 de outubro de 1939.

De acordo com o Instituto Polonês da Memória Nacional, a ocupação soviética entre 1939 e 1941 resultou na morte de 150.000 e na deportação de 320.000 cidadãos polacos; todos os poloneses que eram considerados perigosos para o regime soviético estavam sujeitos a sovietização, reassentamento forçado, prisão em campos de trabalho (os Gulags ) ou assassinados, como os policiais poloneses no massacre de Katyn.

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As tropas motorizadas lituanas avançam para a cidade polonesa de Vilnius, depois dela ter sido entregue à Lituânia pelas forças soviéticas. Fotografia de  29 de outubro de 1939. Vilnius havia sido objeto de um grave conflito entre a Polônia e a Lituânia antes da guerra. A Lituânia foi anexada pela União Soviética apenas 8 meses depois, em junho de 1940.

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A tripulação soviética de um carro blindado BA-20M conversa com as tropas alemãs na cidade polonesa capturada Brest-Litovsk, onde os dois exércitos  invasores se reuniram. 18 de setembro de 1939.

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Desfile militar alemão-soviético em Brest-Litovsk em 22 de setembro de 1939.

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Especialistas soviéticos e alemães trabalham em um mapa da Polônia em um ponto de encontro em Moscou, na tentativa de estabelecer uma linha de demarcação entre os dois exércitos invasores, setembro de 1939.

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Soldados do Exército Vermelho  guardam um posto fronteiriço entre as partes soviética e alemã da Polônia, no final de 1939.

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Os cartazes do jornal da noite em Londres anunciam a notícia da invasão da Polônia em 1 setembro 1939.

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O rei Jorge VI fala para a nação britânica na primeira noite da Segunda Guerra Mundial, em 3 de setembro de 1939, em Londres.

A invasão da Polônia levou a Grã-Bretanha e a França a declarar guerra à Alemanha em 3 de setembro de 1939. No entanto, as duas potências nada fizeram para mudar o resultado da Campanha de Setembro. Nenhuma declaração de guerra foi emitida pela Grã-Bretanha e pela França contra a União Soviética. Essa falta de ajuda direta levou muitos poloneses a acreditar que haviam sido traídos por seus aliados ocidentais.

Contudo, precisamos entender que os diplomatas e políticos franceses e ingleses não viam a invasão dos soviéticos como uma questão territorial em 1939, mas sim, como uma estratégia para impedir que o avanço alemão chegasse à fronteira soviética. Também, em última instância, eles não desejavam uma escalada da guerra como ocorrera em 1914. Portanto, é compreensível que não houvesse uma declaração formal de guerra aos soviéticos. 

pregoeiro

O conflito que terminaria com a queda de duas bombas nucleares começou com uma proclamação lida em voz alta por um pregoeiro da cidade de Londres, em 4 de setembro de 1939. Nenhuma das partes do conflito - a Alemanha, os aliados ocidentais ou a União Soviética - esperava que a invasão alemã da Polônia pudesse levar a uma guerra que superaria a Primeira Guerra Mundial em escala e custo. Levaria meses antes de Hitler ver o quão infrutíferas eram as tentativas de negociação de paz com o Reino Unido e a com a França.

Assim, o que não fora previsto pela maioria dos políticos e militares em 1939, ficou claro a partir da perspectiva histórica: A invasão da Polônia  marcou o início de uma guerra pan-europeia, que combinada com a invasão japonesa da China em 1937 e com a Guerra do Pacífico em 1941, levou a humanidade ao conflito global que conhecemos como a Segunda Guerra Mundial.

Livro sugerido: A História da Segunda Guerra Mundial

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